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domingo, 30 de novembro de 2014

A Verdadeira História do Natal History channel Brasil




AS ORIGENS E LENDAS DO NATAL
Por Nicéas Romeo Zanchett 
                 Historicamente o Natal teve sua origem das festividades da brunária pagã (25 de Dezembro) que era uma orgia em homenagem a Saturno, que por sua vez, mais tarde, deu origem ao carnaval em outra data. Nos hemisfério norte, o solstício de inverno ocorreu entre os dias 21 e 22 de Dezembro, quando o sol atinge o seu afastamento máximo na linha do Equador, tornando as noites mais longas e marcando o início do inverno. Mitraístas estabeleceram o dia 25 de Dezembro, data do Natalis Solis Invicti, ou nascimento do sol invencível, como a do nascimento de Jesus Cristo. 
                  As festividades do Natalis Solis Invicti eram comemoradas com árvores enfeitadas de luzes (velas) e troca de presentes. Ao se converterem cristãos, os pagãos mantiveram o costume e o trouxeram para sua nova fé. Este culto pagão ao Sol Invencível teve de ser reinventado, sincretizado e cristianizado,passando a ser a data oficial do nascimento de Jesus Cristo. Na bíblia não há nenhum mandamento ou instrução para celebrar o nascimento de Cristo. No ano de 1955, falando sobre Jesus Cristo para um Congresso Internacional de História em Roma, o Papa Pio XII disse: "Para os cristãos, o problema da existência de Jesus Cristo concerne à fé e não à história". 
                  Acredita-se que a tradição de montar uma árvore de natal em casa tenha surgido em 1530, na Alemanha, com Martinho Lutero. Esta tradição foi trazida para o continente americano por alguns alemães durante o período colonial, quando estes vieram mora na América. 
                  A festa de natal teve sua origem na Igreja Católica Romana a partir do século IV, e daí se expandiu ao protestantismo e ao resto do mundo.
                  O presépio é um altar a Baa - Deus supremo da religião fenícia -, consagrado desde a antiga Babilônia. É um estímulo à idolatria. Seus adereços são simbologias utilizadas na festa do deus Sol.  A tradição da montagem de presépios teve início com São Francisco de Assis, no século XII. 
                  O Brasil, que é um país com maioria cristã, comemora a abertura do natal com a "Missa do Galo" que é celebrada diante de um presépio e suas figuras relacionadas à Babilônia. 
                  Quanto ao bom velhinho, Papai Noel, os estudiosos afirmam que foi inspirado no bispo chamado Nicolau que nasceu na Tunísia em 280 d.C. Ele era um homem de bom coração que costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximos às chaminés das casas. 
                   Depois deste breve histórico, podemos dizer que falar de natal é falar de Jesus Cristo. Passados vinte séculos, seu nome continua vivo e sua presença marca a esperança, a vida e a fé de todo o mundo civilizado. Sem dúvida, é a Ele que se deve todo este envolvimento psíquico de emoção, compaixão e fraternidade da espécie humana. O ponto crucial desta questão é que Ele representa o grande pregador dos ensinamentos morais, a prática do bem e o amor ao próximo, independente da convicções  religiosas. 
                   A real existência de Jesus Cristo tem sido posta em dúvida desde o século II de nossa era. Provas históricas e científicas são procuradas com o objetivo de fundamentar a crença. As bibliotecas e museus guardam escritos e documentos de autores que teriam sido contemporâneos de Jesus, mas nenhuma referência é feita a Ele. Os documentos oferecidos pela Igreja cristã não foram aceitos pelos historiadores que põe em dúvida a sua autenticidade. Na verdade, os homens sempre estiveram divididos em duas posições: a dos que afirma sua existência e dos partidários da posição contrária, que afirmam ser Ele uma entidade idealizada, criada apenas para fazer cumprir as escrituras, visando dar sequência ao judaísmo que então moria, surgindo uma nova crença. Esta divergência data do século II quando judeus ortodoxos e alguns homens considerados sábios e formadores de opinião, começaram contestar a veracidade de sua existência. 
                   Quando ainda cativos na Babilônia os sacerdotes judeus, que representavam a nata social do seu meio, escreviam sobre tudo o que achavam interessante em matéria de costumes e crenças religiosas. Mais tarde compeliram tudo em um só livro que recebeu o nome de "Talmud" - livro do saber, do conhecimento e da aprendizagem. Quando os judeus chegaram a Roma e Alexandria, ali só havia uma religião oral, portanto sem registro escrito. Isto facilitou a introdução de suas práticas religiosas como também suas superstições. Dessa conjuntura nasce o cristianismo com o máximo de mistificação religiosa de que foi capaz a mente humana da época.  Com grande habilidade os judeus conseguiram implantar o cristianismo que logo entrou no gosto popular penetrando na casa dos mais humildes, dos poderosos senadores e, inclusive, dos palácios imperiais. Dizem os historiadores que Crestus, o Messias dos assênios teria dado origem ao nome Cristo, cristão e cristianismo. Os assênios tinham grande simpatia do povo por terem estabelecido uma instituição comunal, em que os bens pessoais eram igualmente de todos e para todos. No seu sistema, as necessidades de cada um eram responsabilidade de todos. 
                Alguns historiadores afirmam que o cristianismo nasceu na Alexandria e não em Roma ou Jerusalém e dão a entender que nasceu das ideias de Filon que, platonizando o judaísmo, escreveu boa parte do Apocalipse. É a mesma transformação que o cristianismo dera ao judaísmo introduzindo-lhe o paganismo e a idolatria. 
                 Independente de suas origens, ideologias e crenças, a verdade é que os cristãos foram muito perseguidos pelas suas práticas religiosas. 
                 Segundo Tácito, judeus e egípcios foram expulsos de Roma por formarem uma mística superstição. As expulsões ocorreram duas vezes no tempo do Imperador Augusto e a terceira vez no governo de Tibério no ano 19. Naquela época ainda não era conhecido o nome de Jesus e o nome cristão aplicava-se à superstição judaico-egípcia que mais tarde foi confundida com o cristianismo.
                O imperador Diocleciano (245 x 313) passou para a história como o maior assassino dos cristãos. Do ano 303 a 312 ele mandou matar mais de 20 mil devotos. Naquela época a população mundial  não chegava a 250 milhões de pessoas - equivalente a menos que a atual população do Brasil.
                  Com o aparecimento de Constantino (Flávius Valérius Constantinus) - O Grande - Imperador romano -(272 x 337) - filho de Constâncio, que foi levado ao poder pelo seu exército, o cristianismo tomou força e um novo rumo. 
                  Roma estava dividida e a desordem imperava. Constantino queria unificá-la e tornar-se seu único imperador. Disputava o poder com seu inimigo Maxêncio. Para vencê-lo precisava da ajuda dos cristãos e como era hábil estrategista, disse a todos que, apos ter visto no céu uma cruz onde estava escrito "tout o nika" - triunfa por meio desta-, havia se convertido ao cristianismo. Obtendo apoio dos cristãos , em 213 às margens do rio Tibre, venceu Maxêncio, tornando-se o único imperador romano. Mesmo dizendo cristão, Constantino nunca se batizou. 
                  Com o imperador declarando-se cristão devoto, o cristianismo ganhou força. O imperador, satisfeito com os resultados, foi aos poucos imbuindo o espírito cristão nas leis romanas. Suprimiu o sacrifício da cruz, os combates de gladiadores e favoreceu a liberação dos escravos. Instituiu-se protetor da igreja e defensor da fé ortodoxa, elegendo-se como primeiro Papa -(chefe da igreja católica)-. Construiu muitos templos (igrejas) e reuniu o Concílio Ecumênico de Nicéia em 325. Nele se reuniram bispos para discutirem duas opiniões constantes: aquela do padre alexandrino Ário qe sustentava a doutrina de que Jesus Cristo era semelhante ao pai, mas não era eterno como este, e aquela do bispo Atanásio da Alexandria que afirmava que Jesus Cristo não era criatura, mas sim substância divina. O Concílio, que foi o primeiro a receber o nome de Ecumênico, ou seja, Universal, condenou a doutrina herege de Ário e aprovou a de Atanásio. No início do cristianismo os evangélios eram em número de 315 e o Concílio de Nicéia selecionou-os, reduzindo-os a apenas 4 que hoje são conhecidos. 
                 Ao longo da história, o imenso poder do Vaticano tornou difícil a liberação do homem da tutela religiosa. Os partidários de posição contrária eram excomungados, perseguidos e até mortos impiedosamente. Muitas guerras foram motivadas por questões religiosas. 
                 Apesar de todos estes problemas vividos ao longo da história, real ou idealizado, o nascimento de Cristo vem comovendo a humanidade há vários séculos. O que mais importa é que o nome de Jesus Cristo está no coração das pessoas e esta força é capaz de destruir barreiras entre pais, filhos e irmãos, reaproximando-os no amor através do "espírito natalino". Em todo o mundo as pessoas, das mais diversas religiões, dão uma pausa em seus afazeres e congratulam-se festivamente. Em muitos lugares até  guerra é interrompida nos dias de natal e ano novo. 
                 O Natal é a festa que mais traz benefícios para o mundo em que vivemos. 
                 brindemos a isso! 
Nicéas Romeo Zanchett 




documentario que foi proibido pela igreja catolica

[Canal Livre] Jesus realmente existiu?

domingo, 12 de outubro de 2014

ISTOÉ Independente - Comportamento

SÓ A CULTURA SALVA 
As pessoas continuam acreditando nas fantasias e fábulas criadas pelas religiões e o resultado é isto que está acontecendo. 
Contra fatos não há argumentos - Somos apenas poeira das estrelas e Deus é a soma de toda a energia cósmica universal. Mas muitos continuam acreditando que há um trono no céu onde um velho senhor chamado Deus os está  esperando; é muita ingenuidade e pretensão. 
"Se o deus das religiões existisse não haveria mais de um bilhão de pessoas passando fome e sofrendo pelo mundo afora; a não ser que esse deus seja tão cruel e  capaz de permitir toda essa catástrofe mundial."
"Quando morremos não acontece nada mais do que voltarmos ao estado de energia cósmica, enquanto o corpo volta ao seu estado de matéria." 
Nicéas Romeo Zanchett 

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ISTOÉ Independente - Comportamento

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Nicéas Romeo Zanchett

domingo, 3 de agosto de 2014

VIDA E MORTE DE SÃO JORGE

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Obra de Gustave Moreau
                  
Esta é uma Famosa  História dos sete campeões da cristandade, publicada em 1596.
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                   Depois dos gregos irados terem destruído a principal cidade da Frígia e transformado as magníficas construções do rei Priamo num grande deserto, o duque Enéas, abandonando os seus lares com muitos do seus desgraçados companheiros, vagueou pelo mundo como peregrino, à procura de alguma região afortunada onde erigir uma imagem da sua destruída Troia. Mas, antes de ter podido terminar este trabalho, Enéas acabou os seus dias nos confins da Itália, deixando o governo a seu filho Ascânio. Morrendo Ascânio, ficou o mandato com Sílvio; depois da morte deste ficou o nobre e intrépido Bruto que, sendo o quarto descendente de Enéas, primeiro conquistou esta terra da Bretanha, então habitada por monstros gigantes e uma raça de selvagens sem governo; mas, com prudência ele  dominou e estabeleceu boas leis; ai construiu os primeiros alicerces duma nova Troia e chamou-a Troinovant, que depois, com o andar dos tempos, tomou o nome de Londres. Então floresceu  a ilha da Bretanha, não só com suntuosos edifícios, mas com cavalheiros valentes e corajosos, cujas aventuras  e esforçados feitos de cavalaria, a fama descreverá, tirando-os da obscuridade em que o esquecimento os lançou. Depois disso o país encheu-se de cidades e foi dividido em províncias, comarcas, ducados, condados e senhorios, que eram o patrimônio de nobres espíritos que ali viviam, não como covardes no regaço de suas mães, mas ganhando fama com os seus feitos morais. Porque a gloriosa cidade de Coventry foi o lugar onde nasceu o primeiro cristão da Inglaterra, o primeiro que procurou aventuras longínquas, cujo nome ainda hoje em dia a Europa tem muita veneração, a quem, pelos seus valorosos e magnânimos feitos de armas, deram o título de valente cavaleiro São Jorge da Inglaterra, e cuja liga de ouro não só é usada por nobres, mas pelos reis; e em memória das suas vitórias, os reis da Inglaterra combatem debaixo da sua bandeira. 
                  A natureza tinha-lhe posto no peito a figura viva de um dragão, na mão direita uma cruz de sangue e na perna esquerda uma liga dourada. Chamaram-lhe Jorge e deram-lhe três amas: uma para o amamentar, outra para o adormecer e outra para lhe dar de comer. Poucos dias depois do seu nascimento, a cruel fada Kalib, que era inimiga de toda a verdadeira nobreza, roubou esta criança com encantamentos e feitiçarias às amas descuidadas. 
                 Por duas vezes, sete anos Kalib conservou São Jorge da Inglaterra, cujo espírito ansiava por honrosas aventuras, em seu poder; este, porém, muitas vezes procurou recuperar sua liberdade, mas a fada cruel, que lhe queria como à menina dos olhos, nomeou doze fortes sátiros para o acompanhar, de modo que nem  força nem a astúcia o pudessem auxiliar no seu intento.  
                 - És, pior nascimento, disse ela, filho de Lord Albert, grão-senescal da Inglaterra, e desde o dia do teu nascimento criei-te como filho destes bosques solitários. 
                 E, pegando-lhe a mão, levou-o a um castelo de bronze, onde estavam presos seis dos mais valentes cavaleiros do mundo. 
                 - Estes são, disse ela, seis dignos campeões da cristandade. O primeiro é São Diniz da França; o segundo é São Tiago da Espanha; o terceiro é Santo Antônio da Itália; o quarto Santo André da Escócia; o quinto São Patrício da irlanda; o sexto São David de Gales; e tu nasceste para seres o sétimo, e o teu nome é São Jorge da Inglaterra, porque assim serás chamado nos tempos futuros. 
                 Depois levou-o um pouco mais adiante a uma sala grande e bela, onde estavam sete dos melhores cavalos que jamais se viram. 
                 - Seis destes, disse ela, pertencem aos seis campeões, e o sétimo dou-o a ti. 
                 Levou-o também a outra sala onde estavam as mais ricas armaduras do mundo. Escolhendo a mais forte couraça, cingiu-lha ao peito com as próprias mãos, pôs-lhe o elmo e vestiu-o com um rico manto. Em seguida, indo buscar uma fortíssima espada meteu-lha na mão. 
                 - Agora, disse ela, tens um corcel duma força tão invencível que enquanto estiveres mondado nele, não há cavaleiro, em todo o mundo, que te possa vencer. A tua armadura é do mais puro aço, que nenhuma arma pode furar nem o fio de uma arma pode amassar. A tua espada, que se chama Ascalon, cortará a pedra mais rija  e despedaçará o aço mais forte; porque tem no punho uma virtude preciosa que nem a traição, nem a feitiçaria, nem outra qualquer violência te podem vencer enquanto a usares. 
                  Deste modo a voluptuosa Kalib não só lhe entregou todas as riquezas da sua caverna, mas também lhe deu podere autoridade, por meio duma varinha de prata que lhe pôs na mão,para consumar a sua própria perda. Porque chegando a um grande rochedo, este valente cavaleiro tocou-lhe com a varinha mágica, e ele abriu-se. A destemida Dama dos bosques, entretanto, primeiro ficou presa nos seus próprios laços, porque, logo que ela entrou na rocha, ele bateu-lhe com a sua varinha de prata, fechando-se imediatamente, ficando a fada a gritar no rochedo inanimado sem esperança de libertação. Deste modo o nobre cavaleiro enganou a perversa Kalib e pôs em liberdade os outros seis campeões que lhe prestaram todas as homenagens e lhe agradeceram a sua liberdade. 
                   Depois dos sete campeões terem deixado a gruta encantada de kalib foram para a cidade de Coventry, onde estiveram durante nove meses, e quando a primavera tinha estendido sobre a terra o manto de Flora, armaram-se como cavaleiros andantes e foram à busca de aventuras. Depois de caminharem por trinta dias chegaram a uma grande planície, onde havia um pilar de bronze onde se encontravam set caminhos diferentes, o que fez com que os sete companheiros se separassem, tomando cada um o seu caminho. O nosso digno cavaleiro inglês chegou felizmente às terras do Egito, mas, antes de ter andado uma milha, aproximou-se a noite silenciosa e o repouso da solidão apoderou-se de todas as coisas vivas. Por fim viu um pobre e velho eremitério onde se propôs descansar  o cavalo e tomar algum alimento depois da sua fatigante jornada, até que o sol aparecesse de novo e o deixasse continuar a viagem.  Mas ao entrar deu com um velho eremita carregado de anos e quase morto de desgosto, a quem falou assim: 
                 - Pai, disse ele, poderá um viajante pedir pousada para esta noite na tua choça para si e para o seu cavalo, ou haverá alguma cidade próxima para onde me possa dirigir sem perigo? 
                 O ancião, estremecendo á súbita aparição de São Jorge, respondeu-lhe nos seguintes termos: 
                 - Senhor cavaleiro, lastimo a sua má sorte que o faz chegar a esta terra do Egito onde não há vivos suficientes para enterrar os mortos. Tal é a desgraça deste país por causa dum perigoso e terrível dragão, que se não for todos os dias aplacado com o sangue duma virgem que devora para as suas venenosas entranhas, exala um fétido pelas narinas que origina uma peste e mortalidade geral, o que faz ha vinte e quatro anos. E agora só resta uma virgem em todo o reino, a filha do rei. Portanto, o rei fez uma proclamação dizendo que se algum cavaleiro fosse tão valoroso que lutasse com o dragão e conservasse a vida à sua filha, receberia como prêmio o tê-la por mulher e a coroa do Egito depois da sua morte. 
                   Este grande trabalho animou tanto o cavaleiro inglês que jurou ou salvar a vida da filha do rei ou perder a sua  naquela honrosa batalha. Por isso descansou no eremitério do ancião até que o alegre galo lhe anunciou o nascer do sol, o que lhe fez afivelar a armadura e aparelhar para aguerra o seu corcel. Acabado isto dirigiu-se para o vale onde a filha do rei haveria de ser oferecida em sacrifício.   Mas quando se aproximava dele viu ao longe uma formosa donzela vestida de pura seda árabe e guardada somente por uns modestos servos; este triste espetáculo excitou tanto o cavaleiro inglês que pensou que cada minuto seria um dia até que livrasse a donzela da tirania do dragão. Por isso, aproximando-se dela, assegurou-lhe que a salvaria e a conduziria ao palácio do seu pai. 
                   Em seguida o nobre cavaleiro entrou no vale onde havia o dragão, que ao vê-lo deu um rugido tão terrível que parecia um trovão. O tamanho do dragão era medonho de ver, porque dos ombros à cauda media cinquenta pés; as suas escamas brilhavam como prata, mas eram mais duras que o bronze; o ventre era cor de ouro, mas maior que tonel. Saiu de rastos da sua horrível caverna  e atacou tão furiosamente o esforçado campeão que com as suas asas de fogo o ia deitando em terra ao primeiro encontro. Mas o cavaleiro, endireitando-se agilmente, deu no dragão um tal golpe com a sua lança que esta se quebrou em mil pedaços.Então ele deu-lhe uma tão violenta pancada co sua cauda venenosa que o cavalo e o cavaleiro caíram, ficando São Jorge muito machucado em duas costelas. Mas, ao recuar, teve a sorte de ficar debaixo de uma laranjeira, árvore que tem tal virtude que nenhum verme ousa vir para debaixo dos seus ramos, nem aproximar-se a sete pés dela. Ali descansou o valente cavaleiro até readquirir a sua força. Mal se sentiu reanimado, feriu corajosamente o dragão no ventre amarelo e luzidio com a sua fiel espada Ascalon, saindo tal abundância de asqueroso veneno que salpicou a armadura, que imediatamente se partiu em duas, deixando o cavaleiro desmaiado e ficando algum tempo sem poder respirar. Mas teve a feliz lembrança de se arrastar para debaixo da laranjeira, onde o dragão não lhe podia fazer mal.  Ali teve, o nobre campeão, a boa sorte de encontrar uma laranja que pouco tempo antes tinha caído, com a qual se refrescou de maneira que em pouco tempo estava tão bom como antes de começar o combate. Depois ajoelhou e fez uma súplica ao céu  para que Deus lhe desse força e agilidade para que pudesse matar o horrível monstro. Com grande coragem feriu o dragão debaixo da asa, onde era mole e não havia escamas, de maneira que a sua espada Ascalon se enterrou até o punho, atravessando o coração, o fígado, os ossos; e o sangue do dragão saiu em tal abundância que a erva se tornou vermelha. O chão que estava seco com o halito quente do dragão ficou inundado com o líquido que lhe saiu das venenosas entranhas. Finalmente, com a falta de sangue e cansado da prolongada luta, o dragão morreu nas mãos do campeão vencedor.  Tendo terminado com isto com tanta felicidade, o nobre cavaleiro São Jorge da Inglaterra, primeiramente rendeu graças a Deus pela vitória, em seguida cotou com sua espada a cabeça do dragão e espetou-a na ponta da lança, que no começo da batalha tinha despedaçado de encontro ao seu dorso escamoso. 
                    Ptolomeu ordenou imediatamente que todas as ruas da cidade fossem adornadas com ricos panos de Arrás e tapeçarias bordadas e preparou um suntuoso carro de ouro com rodas do mais puro ébano, coberto da seda mais fina suspensa me varões de ouro.  Do mesmo modo, cem dos mais nobres pares do Egito, vestidos de veludo carmesim e montados em cavalos brancos de leite ricamente ajaezados, foram esperar a vinda de São Jorge. Quando entrou as portas da idade, ouviu uma tão melodiosa harmonia de música celestial que lhe pareceu nunca ter ouvido nada tão suave. Então presentearam-no de maneira real com uma suntuosa e rica bola de ouro e puseram-no no carro de ébano, em que foi conduzido ao palácio do rei Ptolomeu, onde o nobre campeão depôs a sua conquista e a sua vitória aos pés da bela Sabra, a filha do rei.  Esta com grande cortesia e muita humanidade aceitou-lhe a oferta. Porque, à primeira vista do cavaleiro inglês, ficou tão encantada  com sua figura principesca que por algum tempo não pode dizer uma só palavra.  Por fim, pegando-lhe a mão conduziu-o a um rico pavilhão onde o desarmou, ungindo-lhe as feridas com os mais preciosos balsamos e lavando-lhe o sangue com suas lágrimas. Feito isto, pôs uma mesa com as mais delicadas iguarias para a sua refeição, estando presente o pai, que o interrogou sobre seu país, família e nome. 
                    Acabado o banquete, investiu-o com as honras da cavalaria real, pondo-lhe um par de esporas de ouro. Mas Sabra, que se sustentava com o amor dele, conduziu-o ao seu aposento, onde se sentou à beira da cama, cantando acompanhada de sua citara as melodias mais celestiais até que ele adormeceu, deixando-o ela a descansar das fadigas da sua batalha. 
                    Durante muitos dias ficou São Jorge no Egito, umas vezes divertindo-se com os outros senhores e dançando e folgando com as damas, e outras tomando parte em torneios e outros honrosos exercícios. 
                     Depois de São Jorge com os outros seis campeões da cristandade terem (com conquistas invencíveis) sujeitado todas as partes do Oriente e, à força de guerras sangrentas, terem feito recuar os obstinado infiéis até aos últimos limites da Índia, onde o sol dourado começa a nascer, voltaram para a rica a abundante terra da Inglaterra, onde permaneceram durante muitos dias na famosa cidade de Londres. 
                   Mas, finalmente os três filhos de São Jorge, Guy, Alexandre e David, que tinham nascido gêmeos  no deserto e que tinham sido mandados pelo seu cuidadoso pai para três reinos diferentes para serem educados, chegaram à idade viril e à maturidade da força.  Desejaram muito visitar seu pai, que desde a infância não viam, e obter das suas mãos a honra da verdadeira cavalaria. Este sincero pedido agradou tanto aos seus tutores que eles os forneceram com um imponente séquito de cavaleiros e os mandaram para a Inglaterra, onde os três chegaram ao mesmo tempo à famosa  cidade de Londres, onde foram recebidos muito principescamente.
                   Mas, mal o sol tinha despontado no cume das montanhas, São Jorge ordenou uma soberba caçada em honra  de seus filhos. Então começaram os cavaleiros a reunir-se e a montar os seus ginetes. E São Jorge com seus filhos vestidos de verde como Adônis, de trompas de prata a tiracolo presas com faixas de cor, foram os primeiros em tudo. 
                    Do mesmo modo, Sabra (que queria ver se a coragem dos filhos igualava-se à do pai) ordenou que se aparelhasse um cavalo manso, com o qual cavalgou para ir presenciar aqueles divertimentos silvestres. 
                    Deste modo caminharam os caçadores e entraram numa floresta, onde não tinham andado ainda uma milha quando derem com um ligeiro e selvático veado a quem largaram os cães; e dando rédeas aos cavalos perseguiram-no mais rapidamente que os piratas perseguem no mar o navio do mercador. Mas agora, vede como a fortuna cega mudou o seu passatempo alegre numa triste e sangrenta tragédia!  Sabra, querendo acompanha-los, encantada a ver os valentes feitos dos filhos, e descuidadosa de si, desequilibrou-se na sela com a rapidez do cavalo e caiu numa moita de abrolhos cujos espinhos penetraram por todo o seu delicado corpo.  Algumas atravessaram-lhe as pálpebras donde gotejou o mais puro sangue. O seu rosto tornou-se num tom vermelho carmesim. As suas mãos brancas como a neve pareciam que tinham luvas sangrentas. 
                   - Querido senhor, disse ela, não chores, nem vós meus filhos, nem vós valentes cavaleiros cristãos, mas fazei com que os vossos tambores guerreiros me acompanhem à sepultura.  Querido senhor, adeus; doces filhos, famosos companheiros do meu Jorge, e vós , cavaleiros cristãos, adeus. 
                   Mal tinha proferido estas palavras quando, com um profundo suspiro, exalou o último alento. 
                   Quando anoite escura se aproximou e cobriu com seu manto negro o firmamento cristalino, retiraram seu corpo, levando-o para a cidade de Londres. ão Jorge com seus filhos e os outros campeões enterraram-na muito honradamente e construíram,  sobre sua sepultura, um rico monumento onde estava esculpida a rainha da Castidade banhando-se com as suas donzelas numa fonte de cristal. 
                    Depois de o túmulo estar pronto e o epitáfio gravado num letreiro de prata, segundo os desejos de São jorge, ele e os outros seis campeões foram para Jerusalém. 
                   Agora entristece-se o meu espírito, porque chegamos à última tragédia. São Jorge é chamado à presença da Morte, onde louros magníficos estão prontos a dar ao seu nome uma nobre fama para todas as idades vindouras. 
                   Este ilustre campeão quando estava a sós com seus três filhos Guy, Alexandre e David, era perseguido dia após dia, por estranhos pensamentos, que não o deixavam sossegar ou dormir. Por isso, fornecendo armas de aço brilhante a todos, deixaram Constantinopla como se fossem guiados pelo destino, até que voltaram à Inglaterra, cujas penedias esbranquiçadas São Jorge não mais tinha visto a doze anos. 
                   Mostrou a seus filhos a forte situação das cidades e o agradável aspecto dos campos por onde passavam, até que chegaram à vista de Coventry, onde tinha nascido. 
                   Mas os seus habitantes interromperam-lhe a alegria com a triste notícia de que na charneca de Dunsmore havia um asqueroso dragão; e que quinze cavaleiros do reino já tinham perdido a vida tentando matá-lo. São Jorge propôs-se experimentar a sorte e ou livrar o seu país dum perigo tão grande ou acabar os seus dias na tentativa. Por isso, despedindo-se dos seus filhos e de todos que estavam presentes, cavalgou para a frente. O seu infecto  inimigo estava deitado no chão, e, pressentindo que a morte se aproximava deu rugidos que pareciam trovões; e vendo o campeão, correu com tanta fúria contra ele como se quisesse devorar cavalo e cavaleiro. Mas o campeão, sendo ágil e destro, de tal maneira se esquivou ao dragão, que ele não lhe acertou e foi cravar o arpão dois pés pelo chão abaixo. Recobrando-se, atirou-se com tanta fúria sobre São Jorge que quase fez tombar o cavalo, mas não encontrando apoio caiu de costas para o chão e de pés para o ar. O campeão tirando vantagem disto, conservou-o deitado com o cavalo em cima e feriu-o mortalmente com a lança em muitas partes do corpo. Ainda assim o dragão não havia morrido quando São Jorge recebeu o seu ferimento mortal, com fundos golpes de ferrão, e sangrou com tanta abundância que se sentiu começar a enfraquecer.  Apesar disso, o vencedor voltou valentemente para a cidade de Coventry, às portas da qual estavam seus três filhos com todos os habitantes. Mas, com a grande quantidade de sangue que caía das suas profundas feridas sem ser estancado, morreu nos braços dos filhos. Toda a gente no país desde o pastor ao rei fizeram luto por ele durante um mês. 
                   O rei deste país ordenou que a partir de então se fizesse uma solene procissão em volta do palácio real no dia 23 de abril, chamando-o de dia de São Jorge, por ser aquele em que foi enterrado com toda a solenidade naquela cidade onde tinha nascido. 
NOTA: As diversas  religiões, que exitem em todas as partes do mundo, foram criadas por sábios, na tentativa de entender as leis universais e orientar seus seguidores a viverem de forma honesta e com amor a todas as criaturas do mundo conhecido. Somos apenas fagulhas de alguma estrela, mas, por trás de cada ser existente há uma inteligência que o governa. Cada ato, para o bem ou para o mal, que praticamos é algo do nosso "livre arbítrio" e moldará o nosso futuro. Tudo é comandado pela inteligência que é nossa consciência. Ela tudo sabe e dela ninguém escapa. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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PROVÉRBIOS de Públio Siro 
Onde quer que o homem anda
Anda com a morte em demanda. 
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O que ao próximo fizeres
É bem que doutrem esperes. 
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Vós achais melhor o nosso; 
N´[os também melhor o vosso.